5 passos para iniciar uma gestão hídrica na empresa

Após a construção do plano de ação hídrica da empresa pelo sistema SAVEh cabe à direção da empresa assegurar todos os esforços institucionais para que eventuais questões estratégicas de mercado não venham a prejudicar a execução das metas, tampouco exigir atrasos no cronograma. Da mesma forma, na eventualidade de o Plano de Ação gerar conflitos entre áreas, é preciso agir rapidamente.


1. Como engajar a diretoria da empresa?


Para que o Plano de Ação seja cumprido, é fundamental convencer a diretoria da empresa a respeito da relevância do mesmo. O custo e o retorno de cada medida precisam ser evidenciados para a empresa, para que as autorizações internas sejam concedidas. Dentre as razões, destacam- se três principais:


- Todas as mudanças nos procedimentos ou nos processos, necessitarão de aprovação do gerente responsável;

- A alocação de funcionários para realização de cada ação necessitará de aval do gestor;

- A reserva de recursos financeiros para realização de cada ação necessitará de concordância do gestor.


A aprovação do Plano de ação pela diretoria será facilitada caso seja apresentada uma estimativa de potencial de economia de recursos. Ou seja, quanto maior for a economia gerada pela redução do consumo de água e menor for o impacto no fluxo de caixa, maior a probabilidade de convencimento e apoio às medidas propostas.


2. Comunicar e conscientizar todos os colaboradores


A comunicação é um fator chave para o sucesso do programa de redução de consumo de água. Isto significa que o discurso precisará ser adaptado de acordo com o grau de instrução e cargo do colaborador.

Durante a divulgação do programa, é essencial explicar ponto a ponto todo o processo. Não se deve assumir que qualquer informação seja de conhecimento de todos. Além disto, deve haver espaço não somente para que os trabalhadores esclareçam suas dúvidas, mas também para que sugestões sejam dadas por eles, que conhecem profundamente os processos industriais e podem contribuir efetivamente com o alcance da meta estipulada.


3. Como priorizar ações


Métodos simples, como a análise de Pareto, podem ser usados para ajudar a desenvolver um plano de ação. A análise de Pareto baseia-se no princípio de que 80% dos efeitos são devidos a 20% das causas, sendo uma técnica simples e eficaz para mostrar onde direcionar o foco.

A análise de Pareto pode ser usada para identificar as áreas que tem os maiores custos de água, nas quais você pode concentrar sua atenção. Caso exista um balanço hídrico da empresa, será mais fácil aplicar este método.


4. Como calcular a relação custo-benefício


Em linhas gerais, pode-se dizer que método de custo-benefício é uma técnica na qual o usuário compara diferentes alternativas de investimento e o retorno esperado de cada uma em um determinado período.

O objetivo é identificar ações que trarão mais benefícios que despesas ao longo do tempo. Como o custo de cada medida foi preenchido no plano de ação pelo usuário, basta estimar a economia que será gerada (em R$). Em seguida será calculada a razão benefício/custo (B/C) em cada caso e as ações com maior indicador B/C serão priorizadas.

De uma maneira geral, ações com ganhos menores que o custo gerado (indicador B/C menor que um) devem ser descartadas. Enquanto isso, quanto mais benefícios em relação ao investimento uma medida tiver (quanto maior for a razão B/C), mais relevante será para o resultado global.

Entretanto, é importante interpretar com cautela os resultados do método custo-benefício. Nem sempre as ações com maior índice B/C serão realizadas, uma vez que podem ser muito caras. A empresa tem que avaliar se o custo de cada alternativa é viável no seu fluxo de caixa. Por exemplo, se o custo elevado impedir que a fábrica continue pagando suas contas e salários dos funcionários, ou cause um endividamento elevado, é provável que esta ação tenha que ser descartada.

Por outro lado, nem sempre uma ação com índice B/C menor que a unidade será descartada. Às vezes, devido ao caráter estratégico da mesma ou ainda à uma eventual interdependência com outras ações, se torna necessário implementar algumas destas ações aparentemente não atrativas.


5. Outras ferramentas de auxílio à decisão


Frequentemente são empregados métodos qualitativos para tomada de decisão. Trata-se de uma forma subjetiva de classificação que depende da percepção de quem utiliza o método, ainda que seja uma vulnerabilidade aceitável. No âmbito deste projeto se indicaria avaliar a complexidade de implementação de cada ação (simples, moderada, difícil) versus a percepção do benefício associado em relação à meta total (grande, moderado, pequeno).